Profecia
Alfred Tennyson (1809-1892)
Porque imergi no futuro,
até onde o olho humano pode ver,
Vislumbrei a Visão do mundo,
e todo o encanto que podia ser;
Vi os céus cheios
de naus, corsários, velas de magia,
Pilotos do crepúsculo
rubro tombando em cargas de valia;
Ouvi os céus cheios de gritos,
e lá choveu um lívido orvalhar
Das vistosas esquadras
das nações no azul central a atacar;
Bem longe, o murmurar no mundo inteiro
do vento sul nesse ímpeto que esquenta,
Com os emblemas dos povos
mergulhando nos raios da tormenta;
Até que o tambor de guerra
não soasse e bandeiras ao reverso
No Parlamento do homem,
Federação de todo este universo.
Lá o senso comum da maioria
suporta um febril reino em sobressalto,
E a benévola terra
dormirá envolta em norma universal.
(Trad. José Lino Grünewald)
Amigos do Fingidor
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sábado, 18 de dezembro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
Poesia em tradução
Dias
Ralph Waldo Emerson (1803-1882)
Prole do Tempo, Dias hipocríticos,
Tampados, mudos, dervixes descalços,
Seguindo sós em fila sem mais fim,
Com diademas e adornos nas mãos.
Oferecem regalos para todos,
Pão, reinos, astros e céu que os sustém.
Eu, em meu jardim curvo, olhava a pompa,
Esquecia os desejos matinais,
Na pressa, peguei ervas e maçãs,
E saiu e voltou, silente, o Dia.
Vi tarde, em seu solene aro, o desdém.
(Trad. José Lino Grünewald)
Ralph Waldo Emerson (1803-1882)
Prole do Tempo, Dias hipocríticos,
Tampados, mudos, dervixes descalços,
Seguindo sós em fila sem mais fim,
Com diademas e adornos nas mãos.
Oferecem regalos para todos,
Pão, reinos, astros e céu que os sustém.
Eu, em meu jardim curvo, olhava a pompa,
Esquecia os desejos matinais,
Na pressa, peguei ervas e maçãs,
E saiu e voltou, silente, o Dia.
Vi tarde, em seu solene aro, o desdém.
(Trad. José Lino Grünewald)
sábado, 31 de julho de 2010
Poesia em tradução
Dante Gabriel Rossetti (1828-1882)
Soneto é um monumento do momento, –
Da Alma, memorial da eternidade
Ao morto, hora imortal. Na integridade,
Que seja rito em luz ou só portento,
Dessa árdua plenitude reverente:
No mármore ou no ébano, cinzele-o,
Ditam a Noite e o Dia; e o Tempo a vê-lo:
Pérolas, crista em flor e o oriente.
O soneto é moeda: a cara dela
Mostra a alma, – e a coroa a que Senhor
Deve: – ou por taxa ou por quem augusto apela
À Vida, ou dom na corte alta do Amor,
Serve: ou, no arfar poroso em cais sem norte,
Paga à mão de Caronte o som da Morte.
(Trad. José Lino Grünewald)
Soneto é um monumento do momento, –
Da Alma, memorial da eternidade
Ao morto, hora imortal. Na integridade,
Que seja rito em luz ou só portento,
Dessa árdua plenitude reverente:
No mármore ou no ébano, cinzele-o,
Ditam a Noite e o Dia; e o Tempo a vê-lo:
Pérolas, crista em flor e o oriente.
O soneto é moeda: a cara dela
Mostra a alma, – e a coroa a que Senhor
Deve: – ou por taxa ou por quem augusto apela
À Vida, ou dom na corte alta do Amor,
Serve: ou, no arfar poroso em cais sem norte,
Paga à mão de Caronte o som da Morte.
(Trad. José Lino Grünewald)
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Sabado
sábado, 24 de julho de 2010
Poesia em tradução
A expressão da alma
Elizabeth Barret Browning (1806-1861)
Com lábios hesitantes e som mutilado
Luto e me empenho para o que certo seria
A música deste ente dizer noite e dia
Com sonho e pensamento e sentimento atados,
E interno responder aos sensos circunscritos
Com oitavas de mística íntima e de astral
Que sai com esplendor a caminho do infinito
Dos ângulos sombrios do solo sensual.
Canção da alma porfio a fim de a sustentar
Através dos portais do senso almo e total,
E inteira moldo a mim no interior do ar.
No entanto se isso eu fiz – tal próprio trovejar
Destroça sua nuvem, eis morte carnal
Diante do feroz apocalipse da alma.
(Trad. José Lino Grünewald)
Elizabeth Barret Browning (1806-1861)
Com lábios hesitantes e som mutilado
Luto e me empenho para o que certo seria
A música deste ente dizer noite e dia
Com sonho e pensamento e sentimento atados,
E interno responder aos sensos circunscritos
Com oitavas de mística íntima e de astral
Que sai com esplendor a caminho do infinito
Dos ângulos sombrios do solo sensual.
Canção da alma porfio a fim de a sustentar
Através dos portais do senso almo e total,
E inteira moldo a mim no interior do ar.
No entanto se isso eu fiz – tal próprio trovejar
Destroça sua nuvem, eis morte carnal
Diante do feroz apocalipse da alma.
(Trad. José Lino Grünewald)
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Sabado
sábado, 12 de junho de 2010
Poesia em tradução
Ave viúva pousada
Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
Ave viúva pousada
Chorando por seu amado
Sobre um ramo regelado
Acima o vento gelado
Se arrasta sobre o riacho
A congelar-se lá embaixo
Folha alguma, a floresta, recobria
Sobre o solo nenhuma flor subia
E pouco movimento lá no ar
Só a roda de moinho a soar.
(Trad. José Lino Grünewald)
Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
Ave viúva pousada
Chorando por seu amado
Sobre um ramo regelado
Acima o vento gelado
Se arrasta sobre o riacho
A congelar-se lá embaixo
Folha alguma, a floresta, recobria
Sobre o solo nenhuma flor subia
E pouco movimento lá no ar
Só a roda de moinho a soar.
(Trad. José Lino Grünewald)
sábado, 27 de março de 2010
Poesia em tradução
A um amigo distante
William Wordsworth (1770-1850)
Por que estás em silêncio? É teu amor a planta
De tanta fraca fibra em que o pérfido ar
De ausência o que era assim formoso irá secar?
Nem dívida a pagar, dádiva que garanta?
Porém meu pensamento em ti é vigilante,
Atado a teu serviço em incessante zelo –
A mente sem doar requer um mendicante
Por nada, mas poupar que possa teu desvelo.
Fala! embora este doce ardente peito, fito
Para ter mil prazeres almos, meus e teus,
Ficou mais assolado, um esfriar aflito,
Que um ninho abandonado e pleno de nevadas
No mesmo matagal de rosas desfolhadas –
Fala, e a ânsia das dúvidas, seu fim saiba eu!
(Trad. José Lino Grünewald)
William Wordsworth (1770-1850)
Por que estás em silêncio? É teu amor a planta
De tanta fraca fibra em que o pérfido ar
De ausência o que era assim formoso irá secar?
Nem dívida a pagar, dádiva que garanta?
Porém meu pensamento em ti é vigilante,
Atado a teu serviço em incessante zelo –
A mente sem doar requer um mendicante
Por nada, mas poupar que possa teu desvelo.
Fala! embora este doce ardente peito, fito
Para ter mil prazeres almos, meus e teus,
Ficou mais assolado, um esfriar aflito,
Que um ninho abandonado e pleno de nevadas
No mesmo matagal de rosas desfolhadas –
Fala, e a ânsia das dúvidas, seu fim saiba eu!
(Trad. José Lino Grünewald)
sábado, 20 de março de 2010
Poesia em tradução
Kubla Khan
Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)
Em Xanadu, um palácio de prazer
Comanda-o Kubla Khan como um farol
Onde Alph, rio sagrado, vem correr
Através de cavernas sem mais ver
Ao ser humano até um mar sem sol.
Assim, milhas e milhas de bom solo,
Cerca de muro e torres polo a polo:
E lá jardins luzentes em ribeiros
Curvos e árvores com flor e incenso;
Aqui florestas velhas qual outeiros,
Estufam tons de sol em seu descenso.
Mas, oh! ideal abismo que desceu
Pela colina em cedro verdejante!
Lugar selvagem! santo e tão galante
como sob um luar minguante deu-se
A uma mulher em prantos: demoamante!
E no abismo em tumulto sem cessar,
Como se esta terra estivesse a arfar,
Uma possante fonte foi lançada,
Entre seus fortes jatos em camada
Grandes fragmentos alçam-se, granizos,
Ou áridos grãos sob o mangual com guizos;
Sempre e uma vez rochedos dançarinos
Davam-se em relance ao rio divino.
Cinco milhas em deslizar insano
Entre vales e bosques foi-se o rio
E chegou às cavernas sem feitio
E agitado entrou no vago oceano:
E nisso Kubla de longe a escutar
Vozes velhas a guerra a anunciar!
A sombra do palácio do prazer
Flutuou pelo meio das marés
Quando se ouviu a escala do envolver
Da fonte e das cavernas. E até
Era milagre de raro desvelo
Um solar de prazer, cavas de gelo!
Uma donzela com saltério
Vi certa vez como algo etéreo
Era uma virgem da Abissínia
E no saltério dela ouvia
O seu cantar do Monte Abora.
Podia reviver agora
Sua canção e sinfonia,
Esse denso deleite me teria,
Pois com longa, elevada melodia,
Eu faria aquele solar no ar,
Aquelas cavas de gelo! O solar!
Todos que ouviram os veriam lá,
E, cuidado! cuidado! a gritar
Todos. Seus olhos cintilantes
E seus cabelos flutuantes!
Três vezes tece um aro em torno dele,
E cerre a vista em sacro medo, que ele
Alimentou-se do silvestre mel
E assim bebeu o leite lá do Céu.
(Trad. José Lino Grünewald)
Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)
Em Xanadu, um palácio de prazer
Comanda-o Kubla Khan como um farol
Onde Alph, rio sagrado, vem correr
Através de cavernas sem mais ver
Ao ser humano até um mar sem sol.
Assim, milhas e milhas de bom solo,
Cerca de muro e torres polo a polo:
E lá jardins luzentes em ribeiros
Curvos e árvores com flor e incenso;
Aqui florestas velhas qual outeiros,
Estufam tons de sol em seu descenso.
Mas, oh! ideal abismo que desceu
Pela colina em cedro verdejante!
Lugar selvagem! santo e tão galante
como sob um luar minguante deu-se
A uma mulher em prantos: demoamante!
E no abismo em tumulto sem cessar,
Como se esta terra estivesse a arfar,
Uma possante fonte foi lançada,
Entre seus fortes jatos em camada
Grandes fragmentos alçam-se, granizos,
Ou áridos grãos sob o mangual com guizos;
Sempre e uma vez rochedos dançarinos
Davam-se em relance ao rio divino.
Cinco milhas em deslizar insano
Entre vales e bosques foi-se o rio
E chegou às cavernas sem feitio
E agitado entrou no vago oceano:
E nisso Kubla de longe a escutar
Vozes velhas a guerra a anunciar!
A sombra do palácio do prazer
Flutuou pelo meio das marés
Quando se ouviu a escala do envolver
Da fonte e das cavernas. E até
Era milagre de raro desvelo
Um solar de prazer, cavas de gelo!
Uma donzela com saltério
Vi certa vez como algo etéreo
Era uma virgem da Abissínia
E no saltério dela ouvia
O seu cantar do Monte Abora.
Podia reviver agora
Sua canção e sinfonia,
Esse denso deleite me teria,
Pois com longa, elevada melodia,
Eu faria aquele solar no ar,
Aquelas cavas de gelo! O solar!
Todos que ouviram os veriam lá,
E, cuidado! cuidado! a gritar
Todos. Seus olhos cintilantes
E seus cabelos flutuantes!
Três vezes tece um aro em torno dele,
E cerre a vista em sacro medo, que ele
Alimentou-se do silvestre mel
E assim bebeu o leite lá do Céu.
(Trad. José Lino Grünewald)
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