Fim do mundo
Else Lasker-Schüler (1869-1945)
Há um choro no mundo,
Como se o bom Deus Chegasse ao final,
E a nuvem plúmbea cai ao fundo,
Em peso sepulcral.
Vem, escondamo-nos juntos em plenitude...
A vida está no coração de todos
Como em ataúdes.
Tu! Profundamente nos beijemos –
No mundo palpita uma saudade,
Da qual morreremos.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
Amigos do Fingidor
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sábado, 16 de outubro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
Poesia em tradução
O visiotário
Jakob van Hoddis (1887-1942)
Lâmpada, não esquente.
Da parede saiu um braço magro de mulher.
Era pálido e tinha veias azuis.
Os dedos estavam carregados de preciosos anéis.
Quando beijei a mão, assustei-me:
Estava viva e quente.
Arranhou-me o rosto.
Peguei uma faca de cozinha e cortei algumas veias.
Um grande gato lambeu graciosamente o sangue do chão.
Entretanto um homem de cabelos arrepiados subiu
Por um cabo da vassoura encostado à parede.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
Jakob van Hoddis (1887-1942)
Lâmpada, não esquente.
Da parede saiu um braço magro de mulher.
Era pálido e tinha veias azuis.
Os dedos estavam carregados de preciosos anéis.
Quando beijei a mão, assustei-me:
Estava viva e quente.
Arranhou-me o rosto.
Peguei uma faca de cozinha e cortei algumas veias.
Um grande gato lambeu graciosamente o sangue do chão.
Entretanto um homem de cabelos arrepiados subiu
Por um cabo da vassoura encostado à parede.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
sábado, 5 de junho de 2010
Poesia em tradução
Cabeça empinada, lá vem ele...
Georg Heym (1887-1912)
Cabeça empinada, lá vem ele por sobre os telhados
Arrastando seus cabelos amarelos,
O feiticeiro quieto, subindo para os aposentos do céu
Pelo sinuoso atalho de flores bem estrelado.
Embaixo, todos os animais na floresta e nas brenhas
Têm as cabeças limpas e penteadas,
Cantando o coral lunar. Mas as crianças,
De camisões brancos, ajoelham-se nas camas.
O mar infinito de minh’alma
Baixa devagar em suave maré.
Sou todo verde por dentro. Vou desaparecendo
Como um balão de vidro.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
Georg Heym (1887-1912)
Cabeça empinada, lá vem ele por sobre os telhados
Arrastando seus cabelos amarelos,
O feiticeiro quieto, subindo para os aposentos do céu
Pelo sinuoso atalho de flores bem estrelado.
Embaixo, todos os animais na floresta e nas brenhas
Têm as cabeças limpas e penteadas,
Cantando o coral lunar. Mas as crianças,
De camisões brancos, ajoelham-se nas camas.
O mar infinito de minh’alma
Baixa devagar em suave maré.
Sou todo verde por dentro. Vou desaparecendo
Como um balão de vidro.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
sábado, 17 de abril de 2010
Poesia em tradução
Calma e silêncio
Georg Trakl (1887-1914)
Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou
A lua do lago gelado em áspera rede.
No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.
Mas sempre comove o voo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.
De novo anoitece a fronte em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.
(Trad.: Claudia Cavalcanti)
Georg Trakl (1887-1914)
Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou
A lua do lago gelado em áspera rede.
No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.
Mas sempre comove o voo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.
De novo anoitece a fronte em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.
(Trad.: Claudia Cavalcanti)
sábado, 10 de abril de 2010
Poesia em tradução
Síntese
Gottfried Benn (1886-1956)
Noite silenciosa. Casa silenciosa.
Mas sou a mais calma estrela,
Eu também produzo luz própria
Além dos limites de minha noite.
Cerebralmente, voltei para casa
De infernos, céus, lixo e gado
E também o que se concede à mulher
É obscura e doce masturbação.
Revolvo o mundo. Agonizo a presa.
E depois dispo-me na alegria:
Não há morte, nem pó malcheiroso
Que me leve, eu-conceito, de volta ao mundo.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
Gottfried Benn (1886-1956)
Noite silenciosa. Casa silenciosa.
Mas sou a mais calma estrela,
Eu também produzo luz própria
Além dos limites de minha noite.
Cerebralmente, voltei para casa
De infernos, céus, lixo e gado
E também o que se concede à mulher
É obscura e doce masturbação.
Revolvo o mundo. Agonizo a presa.
E depois dispo-me na alegria:
Não há morte, nem pó malcheiroso
Que me leve, eu-conceito, de volta ao mundo.
(Trad. Claudia Cavalcanti)
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