Amigos do Fingidor

Mostrando postagens com marcador Geraldo Carneiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geraldo Carneiro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

I don’t like myself

Geraldo Carneiro


queria ser outro, perambular

entre as bandeiras enfunadas de pasárgada

bailar no bas-fond de Baudelaire

navegar no barco de Rimbaud

às vezes veranear nos subúrbios do Inferno

na selva selvagem de Dante

sempre argonauta de ultramares

sem o terror narcísico do espelho:

o mesmo círculo a mesma escrita o mesmo rosto

o mesmo animal confinado

em sua ridícula circunstância

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

à flor da língua

Geraldo Carneiro

uma palavra não é uma flor
uma flor é seu perfume e seu emblema
o signo convertido em coisa-ímã
imanência em flor: inflorescência
uma flor é uma flor é uma flor
(de onde talvez decorra
o prestígio poético das flores
com seus latins latifoliados
na boca do botânico amador)
a palavra, não: é só florilégio
ficção pura, crime contra a natura
por exemplo, a palavra amor