Luciano Maia
A minha nau a um tempo derivou –
foi quando conheci da noite o mar.
Não me salvou a bússola: em vôo
uma ave azul as asas foi me dar.
A mostrar-me o horizonte ao céu se alçou
e por suas asas consegui me alçar
por sobre o vendaval que arrebentou
o cordame das velas pelo ar.
No céu diviso luzes e por vê-las
navega a minha nau um mar isento
de noites tormentosas. Singra pelas
ondas sem pressa e sem adiamento.
Segue o cardume alado das estrelas
pela mão oceânica do vento.
Amigos do Fingidor
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Soneto da personagem encarnada
Luciano Maia
Ó mamulengo triste do Nordeste!
Galopando o teu riso salteador,
fazes cinema no reboco agreste,
figura de arremedo e de impostor.
Acoitas um trejeito cafajeste
num palco de escandelo e de clamor.
Poeta doido, que mal se traveste
de alegria, a convite de mais dor.
Ó meu bizarro amigo de encarnado!
Vejo-te exílio, pranto em vez de dengo.
Oculto povo, mudo e desterrado.
Vaqueiro nordestino, lengo, tengo...
Estrebucha o teu tempo decepado,
caçoa do meu choro, mamulengo!
Ó mamulengo triste do Nordeste!
Galopando o teu riso salteador,
fazes cinema no reboco agreste,
figura de arremedo e de impostor.
Acoitas um trejeito cafajeste
num palco de escandelo e de clamor.
Poeta doido, que mal se traveste
de alegria, a convite de mais dor.
Ó meu bizarro amigo de encarnado!
Vejo-te exílio, pranto em vez de dengo.
Oculto povo, mudo e desterrado.
Vaqueiro nordestino, lengo, tengo...
Estrebucha o teu tempo decepado,
caçoa do meu choro, mamulengo!
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