Dona Ausente – IX
Mário Ypiranga Monteiro (1909-2004)
– Já se calaram todas as cigarras
no bucolismo dessas horas quedas.
Não vibram mais orquestrações bizarras
pelo silêncio bom das alamedas.
Amo-a demais. Às vezes sua ausência
a saudade deplora e eis-me a chamá-la
para que traga azul a esta querência
e um pouquinho de sol à minha sala.
Vem dela a minha glória e é dela o cheiro
de mocidade, que pelo ar se estrela.
Duvido que haja rosa em seu canteiro
que cheire tanto como a carne dela.
Amigos do Fingidor
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Estante do tempo
Dona Ausente – XVIII
Mario Ypiranga Monteiro (1909-2004)
– É tarde e não virás...
De lado a lado
da estrada se erguem troncos nus e tortos.
Parecem exortações de algum Passado,
restos macabros dos meus Sonhos mortos.
Que não virás mais nunca estão de certo
dizendo os lírios pensativamente.
Só eu não creio – e espero ainda, aberto
meu coração à eterna Dona Ausente.
Mario Ypiranga Monteiro (1909-2004)
– É tarde e não virás...
De lado a lado
da estrada se erguem troncos nus e tortos.
Parecem exortações de algum Passado,
restos macabros dos meus Sonhos mortos.
Que não virás mais nunca estão de certo
dizendo os lírios pensativamente.
Só eu não creio – e espero ainda, aberto
meu coração à eterna Dona Ausente.
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