Amigos do Fingidor

Mostrando postagens com marcador I. Xavier de Carvalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador I. Xavier de Carvalho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estante do tempo

Hoje
I. Xavier de Carvalho (1872-1944)


Do meu peito o pomar, dantes risonho,
Hoje é sem chuva e até de orvalho enxuto,
O ar vive seco e o céu vive tristonho,
Sem água o espaço e a terra sem dar fruto.

O horror da morte a perpassar escuto
Por sobre tudo num pavor medonho!
Té os galhos, sem cor, estão de luto
Das carcomidas árvores do Sonho!

– Por toda aquela natureza em mágoa
Tudo sinto morrer à míngua d’água
Sem que o inverno do Céu jamais irrompa...

Na árida terra que o calor invade,
A única flor é o cactus da Saudade
Que desabrocha lânguida e sem pompa!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Estante do tempo

Chegando
I. Xavier de Carvalho (1872-1944)

Venho mesmo não sei de que Degredo
Improvisando altares no caminho,
A rezar, de olhos fitos no arvoredo,
Missas Negras sem hóstias e sem vinho.

Lá nos conventos monacais do Medo
Tomei de um frade este burel de linho...
E, da Vida no estúpido rochedo,
Eis-me na encosta a caminhar sozinho.

Poetas de todo o Mundo, vinde ouvir-me!
– Que um Monge Bom, com os olhos rasos d’água
Quase às portas da Morte, porém firme,

Vai produzir, numa oração sentida,
Desse intangível púlpito da Mágoa,
Todo um sermão de Lágrimas à Vida!