Francisco Calheiros
Não continua sendo útil minha espera.
Conquanto não valha a pena fazê-lo,
dou-me por realizado e sem mágoas.
Faz-se mister, porém, que as mágoas
não me exijam passaporte
nem me façam misantropo
das avarias que deixaste.
Amigos do Fingidor
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Soneto de um novembro findo
Francisco Calheiros
A mim me resta apenas o desejo
de perecer seguindo algum espaço,
de naufragar na busca do que faço,
de reviver da forma em que me vejo:
um flagelo de homem de tristeza,
proletário de um mundo sem sentido
que, quanto mais se busca, se é vencido
pelas farpas do tempo da pobreza.
Que me resta, senão a própria morte?
Enfim, somente o ocaso faz-se eterno,
num horizonte assim a me ocultar.
A mim me restará também a sorte
de um homem que não soube ser moderno,
mas que viveu somente para amar.
A mim me resta apenas o desejo
de perecer seguindo algum espaço,
de naufragar na busca do que faço,
de reviver da forma em que me vejo:
um flagelo de homem de tristeza,
proletário de um mundo sem sentido
que, quanto mais se busca, se é vencido
pelas farpas do tempo da pobreza.
Que me resta, senão a própria morte?
Enfim, somente o ocaso faz-se eterno,
num horizonte assim a me ocultar.
A mim me restará também a sorte
de um homem que não soube ser moderno,
mas que viveu somente para amar.
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