Amigos do Fingidor

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Inconstância

Jacob Ohana



Dizem-me os linces,
foste ver gravuras
no teu deserto de pêlos ao vento,
clara tulipa a celebrar o vinho.

Branca, arredia fímbria
em que decoro um hino.

Banho de sais que às vezes tomo
atento à gota que entre os dedos cai.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Amazona

Jacob Ohana


Teu viço é o mito, o arco, a guerra, a flecha,
que entre as pedras do rio te regenera
no cheiro do cardume ao teu encontro.

Lenda de fósseis por tragado encanto,
que o fruto, a folha e a flor ocultam
na pele ao mel
que o âmbar hostiliza.

Seiva de luas cheias, as veias
tecem terços de raízes
na crina dada ao vento e à selva
que habita a virgindade do teu pólen.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Diurno

Jacob Ohana


Na multidão meus múltiplos se afligem
roçam na valsa torta que os empurra.
O pirata já foi o alienígena,
a colombina dança taciturna.

A máscara de osso, o pé de vidro,
a gola prende o ar de arlequim.
Solta-se a fantasia, o seu ruído,
na mímica de cada alegoria.

Bebemos. Nossa orgia é uma lacuna,
de onde saímos para abrir espaço
ao estandarte hostil da nossa fauna.

Passamos uns aos outros a ironia
das cores mutiladas nesse encontro
na transfiguração da fantasia.