Dâmea Mourão
A solidão é a porta aberta
para ninguém entrar.
Entra o silêncio
a pergunta
o devaneio
Entra o vento que derruba
as folhas da árvore
no quintal
Entra um espelho
de mentira
para mostrar à dona da casa
a verdade:
Os dias seguem protegidos
pelas paredes confidentes,
enquanto ela varre as folhas caídas,
limpa as janelas
e planta novas sementes
Até o momento em que a porta da casa
novamente se abre, pronta
para alguém adentrar
- e a antiga dona partir
Amigos do Fingidor
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Senhora devastada
Dâmea Mourão
De amarelas nuvens em diáspora
faço pungente a minha alvorada
em toques tortos de pés alados
faço serpente minha caminhada
Sou amarelo ser sem diástole
diante da mata queimada
Há troncos sem seiva, cortados
diante da muda levada
E segue a vida derrubada
E segue a morte levantada
da verde senhora, nossos ombros
Sombras na verdadeira riqueza
atacam a derradeira beleza
que ainda resta dos escombros
Sob esse seio
sou serva em sístole
Sigo sentindo
o sussurro sofredor:
Salvem o grito de socorro
sai sangue quando
cega serra assalta
a senhora
seiva deste mundo
– surdo.
De amarelas nuvens em diáspora
faço pungente a minha alvorada
em toques tortos de pés alados
faço serpente minha caminhada
Sou amarelo ser sem diástole
diante da mata queimada
Há troncos sem seiva, cortados
diante da muda levada
E segue a vida derrubada
E segue a morte levantada
da verde senhora, nossos ombros
Sombras na verdadeira riqueza
atacam a derradeira beleza
que ainda resta dos escombros
Sob esse seio
sou serva em sístole
Sigo sentindo
o sussurro sofredor:
Salvem o grito de socorro
sai sangue quando
cega serra assalta
a senhora
seiva deste mundo
– surdo.
terça-feira, 3 de março de 2009
Sonho vazio
Dâmea Mourão
Pálpebras à mostra
Instante de deleite
no mundo que se abre
à noite
porém, a íris escondida
se olha por dentro
Já não há mais calma
nem alma
apenas demora
olhos arregalados
temor da aurora
Pálpebras à mostra
Instante de deleite
no mundo que se abre
à noite
porém, a íris escondida
se olha por dentro
Já não há mais calma
nem alma
apenas demora
olhos arregalados
temor da aurora
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