Amigos do Fingidor

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

É quase de manhã

Cândida Alves



É quase de manhã
ainda sinto teu cheiro
no meu travesseiro
levanto com raiva
pra lavar a cara
e escovar o cabelo
não dá pra esquecer
mil vezes te odeio
grito pra não enlouquecer
desgraçado, só quer me comer
mas quando chega a tarde
e o vazio me invade
ninguém telefona
além de você
tudo bem, “vamo vê”
mesmo papo, só cama
dessa vez pode ser
me arrumo e perfumo
pra esperar você
de agora em diante
eu que vou te comer

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bate à porta

Cândida Alves



Bate à porta

come, dorme, sai e

bate a porta

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Eu te amo

Cândida Alves



Colando o meu rosto
no pelo macio do teu peito
não posso encontrar
um defeito na vida

Meu corpo estreito
        sem jeito
te cobre com força
e te beijo

Teu beijo
me escorre na cara
escancaras na boca
um bocejo

e dormes...

Respiro com calma
             com tara
me sento em teu colo
                    te olho
não fico com medo

Procuro teus dedos
que toco
e enrosco nos meus
pensando em voz alta
meu Deus eu amo esse cara
                            esse homem

então sinto fome...

Vou à geladeira
encontro uma pera
e como
sentada na pia

Um gato que mia lá fora
me lembra na hora
meu gato sozinho na cama

Eu corro e te encontro
com os olhos fechados,
suando
sonhando comigo talvez

e sigo te olhando, babando,
pensando

meu Deus como eu amo
e proclamo:
sou tua, sou tua
enquanto adormeço ao teu lado
tranquila
e completamente nua

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Todo corpo

Cândida Alves

Todo corpo
toda vida explica
nos seus rastros
sempre uma notícia
escrita nos seus traços
todos os anseios
no mover dos braços

todo corpo
traz um benefício
sobre suas curvas
e algum sacrifício
com lembranças turvas
marca suas dobras

todo corpo amado
ou desolado chora
toda sua virtude
e seu pecado aflora

todo corpo
mostra seus segredos
e encontra outros medos
quando abre os olhos

todo corpo
uma mente oculta

todo corpo é alma
enquanto vida pulsa