Agnaldo Martins
A vida, ao mesmo tempo
rica, subterrânea, vasta.
Inconstante, me faz crer em seu poder invisível de criar coisas belas,
trágicas, sexuais, sensuais, amorosas, amistosas...
Rio caudaloso de surpresas,
capacidade filosófica de admiração epifânica das coisas,
dos acontecimentos do presente, matéria generosa!
Sonoridade pulsante em que interpenetro-me agora.
Essa montanha,
essa árvore,
essa flor que desabrocha
para o interno pacífico de uma criatura fértil até o seu âmago dolorido.
Esfuziantes cores de sol,
lilases vivos.
Em transição da fêmea para o macho,
arrebatamento luzidio do corpo,
bebedeira dionisíaca da razão
em suspiros que gravitam nas sombras,
perfazem o lugar escolhido pelos amantes
para as carícias secretas.
Escrita tênue de frases soltas
com a voz ao sopé do ouvido.
Serás tu o ser que me completa?
...Inquieta-me agora e depois do gozo
e domina minh’alma como um ser pacífico.
Onírico de tua beleza fluida
e inebriante,
no agora efêmero, na eternidade infinita...
Serás
somente minha!
Amigos do Fingidor
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Lírico
Agnaldo Martins
Tuas mãos macias acariciavam meu corpo como uma escultura inacabada,
deixava-as escorrer sobre os lábios já em intensa erupção.
Elas foram ficando na frágil pele e em minhas sensações,
como se tocassem a argila mole e sedenta de beleza.
Os meus olhos vivos permaneciam chamando por seu toque,
cada vez que uma imagem nova se fazia à minha frente.
Fui calando, ouvindo o silêncio daquele corpo em sombras.
Não voltaste!
As lágrimas queriam brotar e o corpo estranhava,
como louco vivia à procura de respostas de afeto,
e encontrava a fúria, esse esmagamento de alma
que preenchia a noite desesperada.
Que voz ecoava naquela obscuridade?
Tuas mãos macias acariciavam meu corpo como uma escultura inacabada,
deixava-as escorrer sobre os lábios já em intensa erupção.
Elas foram ficando na frágil pele e em minhas sensações,
como se tocassem a argila mole e sedenta de beleza.
Os meus olhos vivos permaneciam chamando por seu toque,
cada vez que uma imagem nova se fazia à minha frente.
Fui calando, ouvindo o silêncio daquele corpo em sombras.
Não voltaste!
As lágrimas queriam brotar e o corpo estranhava,
como louco vivia à procura de respostas de afeto,
e encontrava a fúria, esse esmagamento de alma
que preenchia a noite desesperada.
Que voz ecoava naquela obscuridade?
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