A tumba de Edgar Poe
Stéphane Mallarmé (1842-1848)
Tal que a Si-mesmo enfim a Eternidade o guia,
O Poeta suscita com o gládio erguido
Seu século espantado por não ter sabido
Que nessa estranha voz a morte se insurgia!
Vil sobressalto de hidra ante o anjo que urgia
Um sentido mais puro às palavras da tribo,
Proclamaram bem alto o sortilégio atribu-
Ido à onda sem honra de uma negra orgia.
Do solo e céu hostis, ó mágoa! Se o que escrevo -
– Idéia e dor – não esculpir baixo-relevo
Que ao túmulo de Poe luminescente indique,
Calmo bloco caído de um desastre obscuro,
Que este granito ao menos seja eterno dique
Aos vôos da Blasfêmia esparsos no futuro.
(Trad. Augusto de Campos)
Amigos do Fingidor
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Estante do tempo
Interlúnio
Maranhão Sobrinho (1879-1915)
Entre nuvens cruéis de púrpura e gerânio,
rubro como, de sangue, um hoplita messênio
o sol, vencido, desce o planalto de urânio
do ocaso, na mudez de uni recolhido essênio...
Veloz como um corcel, voando num mito hircânio,
tremente, esvai-se a luz no leve oxigênio
da tarde, que me evoca os olhos de Stephanio
Mallarmé, sob a unção da tristeza e do gênio!
O ônix das sombras cresce ao trágico declínio
do dia que, a lembrar piratas do mar Jônio,
põe, no ocaso, clarões vermelhos de assassínio...
Vem a noite e, lembrando os Montes do Infortúnio,
vara o estranho solar da Morte e do Demônio
com as torres medievais as sombras do Interlúnio...
Maranhão Sobrinho (1879-1915)
Entre nuvens cruéis de púrpura e gerânio,
rubro como, de sangue, um hoplita messênio
o sol, vencido, desce o planalto de urânio
do ocaso, na mudez de uni recolhido essênio...
Veloz como um corcel, voando num mito hircânio,
tremente, esvai-se a luz no leve oxigênio
da tarde, que me evoca os olhos de Stephanio
Mallarmé, sob a unção da tristeza e do gênio!
O ônix das sombras cresce ao trágico declínio
do dia que, a lembrar piratas do mar Jônio,
põe, no ocaso, clarões vermelhos de assassínio...
Vem a noite e, lembrando os Montes do Infortúnio,
vara o estranho solar da Morte e do Demônio
com as torres medievais as sombras do Interlúnio...
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