Amigos do Fingidor

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domingo, 10 de outubro de 2010

Minha pátria é minha língua

Ventura

João de Deus (1830-1896)



O sol na marcha luminosa voa
Lançando à terra majestoso olhar;
Passa cantando quem o ar povoa,
E a praia abraça venturoso o mar.

No bosque o vento doce canto entoa,
Ouvem-se em coro a multidão cantar;
Que a um só triste o coração lhe doa,
Que eu seja o único a sofrer, penar!

Por ti, saudade... de quem vai tão perto
E a quem dos olhos e das mãos perdi
Neste tão ermo, lúgubre deserto!

Por ti, ventura... que uma vez senti;
Por ti que às vezes a meu peito aperto
E... o peito sem ti ver a ti!

domingo, 26 de julho de 2009

Elegias – A vida (fragmento)
João de Deus (1830-1896)


A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave;
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa de ave ferida –
De vale em vale impelida,
A vida o vento a levou!