Inverno
Álvaro Maia (1893-1969)
I
Vai morrendo a alegria dos estios,
num retintim de pompas e fanfarras:
bandos de pombos em revoos sombrios,
periquitos em loucas algazarras...
A água se espalha em volumosos fios,
que a terra escarvam, ferem como garras...
Fogem do espaço os fracos vozerios
das aves, das abelhas, das cigarras...
Os rios, como veias rebentadas,
dão o sangue lustral – a água que escorre –
às margens, em torrentes e enxurradas...
Há vozes pela selva, em canto eterno
– voz de saudades ao verão que morre,
– voz de exorcismos ao vindouro inverno!
Amigos do Fingidor
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Estante do tempo
Árvore ferida
Álvaro Maia (1893-1969)
Ante a constelação do céu florindo em lume
temos, ó árvore, o mesmo ideal e a mesma sina...
Sangrou-me o peito inerme a sensação divina,
como a acha te sangrou em golpe de negrume.
Dando esmola ao faminto e consolo à ruína
subimos em bondade, ardemos em perfume...
Bendita a dor criadora, o perfurante gume,
que em mim produz o verso e em ti produz resina...
Ninguém virá curar-te! Apenas os ramalhos
ensinarão à flor a música dos galhos
e ensinarão ao galho as lutas das raízes.
Ninguém virá curar-me! Os meus versos apenas
serão o bálsamo esfeito em minhas próprias penas,
sob a ronda de dor dos dramas infelizes.
Álvaro Maia (1893-1969)
Ante a constelação do céu florindo em lume
temos, ó árvore, o mesmo ideal e a mesma sina...
Sangrou-me o peito inerme a sensação divina,
como a acha te sangrou em golpe de negrume.
Dando esmola ao faminto e consolo à ruína
subimos em bondade, ardemos em perfume...
Bendita a dor criadora, o perfurante gume,
que em mim produz o verso e em ti produz resina...
Ninguém virá curar-te! Apenas os ramalhos
ensinarão à flor a música dos galhos
e ensinarão ao galho as lutas das raízes.
Ninguém virá curar-me! Os meus versos apenas
serão o bálsamo esfeito em minhas próprias penas,
sob a ronda de dor dos dramas infelizes.
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