Amigos do Fingidor

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Canção para um rapaz de oitenta

Francisco Carvalho



Poeta Jorge Tufic,
pastor dos meridianos,
ergo a taça dos meus versos
pelos teus oitenta anos.

A vida passa depressa,
passam meses, passam anos.
Passa o vento nas janelas
pelos teus oitenta anos.

Pelas portas das esferas
passam vinhos lusitanos,
passa o verso pela ode
pelos teus oitenta anos.

Passa a chuva pelo vidro,
passam as águas pelos canos.
Passa a onda pela espuma
pelos teus oitenta anos.

Passa a rima pelo remo,
o engano por desenganos.
Cantam vinhos nas garrafas
pelos teus oitenta anos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Soneto a quatro mãos

Francisco Carvalho e Jorge Tufic



O tempo passa, o tempo nos ilude.
O tempo nos pranteia a qualquer hora
quando amanhece, quando é noite escura,
quando a taça do amor nos comemora.

O tempo, quando muito se demora
confunde as noites, rouba a juventude;
então que seja vário e sempre mude
aos sons do brinde, aos êxitos de agora.

O tempo que não vemos se renova
nos momentos diurnos ou facetos,
mas também são ardis, mutantes covos.

O tempo nos enterra numa cova
com os versos que escrevemos e os sonetos
que foram velhos e ficaram novos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Girassóis de barro

Francisco Carvalho


Vou me lembrar de ti
do teu vestido claro
de tua janela verde
com girassóis de barro.

Vou semear teu corpo
com cio de cavalo
vou seduzir teus olhos
com girassóis de barro.

Vou te esperar à luz
do luar do meu cigarro
com flores amarelas
de girassóis de barro.

De Atenas vou a Troia
de Tebas a Cartago
para te dar um ramo
de girassóis de barro.

Vou mergulhar nas ondas
do teu secreto lago.
Teus seios de andaluza
são girassóis de barro.