Amigos do Fingidor

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Minha pátria é minha língua

Hão de chorar por ela os cinamomos
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)



Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão: – “Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria...
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhe sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: – “Por que não vieram juntos?”